Nem o Oliveira caçula deu jeito –
e olha que ele tentou. Para
cerca de 36 mil pagantes – o
mesmo que seria auferido no
Pacaembu, mas com apenas
metade da renda, o Verdão
ganhou o Derby por 2×1 e se
manteve mais do que vivo no
Brasileirão. A rodada marcou o
final do primeiro turno, e o
Palmeiras está em sexto, mas a
apenas cinco pontos do líder – a
mesma diferença para o sétimo
colocado. Apesar de ter vivido
todas as crises possíveis e
imagináveis, o time chegou ao
fim do turno na briga, em
evolução, tem uma perspectiva
nova com a chegada de um
NOVE-NOVE, e em paz.
Tite armou seu time com três
atacantes, mas na verdade Jorge
Henrique atuava mais como
quarto homem do meio,
auxiliando Danilo. Felipão foi pro
jogo forçando pelos flancos. A
primeira chance foi deles, numa
cabeçada de Wallace,
aproveitando cruzamento de
Jorge Henrique. Nosso troco foi
rápido, com Patrik fazendo boa
jogada pela direita e centrando
para Kleber, que cabeceou forte,
mas para fora. Aos poucos o
Palmeiras foi dominando o meio
de campo e tomando a iniciativa,
e nessa pegada, outra chance foi
criada por Kleber, agora pela
esquerda: ele invadiu e bateu
cruzado, com pouco ângulo, e
Julio Cesar jogou pra fora.
Num lance fortuito, entretanto,
o Small Club abriu o placar:
após tiro de Ramon de fora,
Marcos defendeu, mas deu
rebote; na sequência a bola
sobrou para Emerson fora da
área; ele tentou cruzar,
Henrique fechou com Liedson e
a bola passou direto, iludindo
Marcos. Ela ainda bateu na trave
antes de ir para o gol. A
vantagem era injusta, num lance
de sorte.
O Palmeiras mantinha a lucidez
tanto na marcação quanto na
armação, e melhorou mais ainda
quando Felipão trocou Patrik,
que insistia em jogar aberto, por
Fernandão. O centroavante,
grandalhão que acabou de
chegar do Guarani, além de dar
a referência aos ataques do time,
mostrou que tem estrela
quando, num de seus primeiros
toques na bola, disputou a bola
com Julio Cesar após escanteio
cobrado por Assunção; a bola
espirrou e se ofereceu limpa
para Luan fuzilar e empatar o
jogo. O Verdão seguiu melhor,
mas o primeiro tempo terminou
mesmo empatado – só que com
a nítida sensação que o jogo
estava à nossa mercê.
No segundo tempo o Verdão foi
mais dominante ainda. Marcos
Assunção e principalmente Chico
anularam a criação smalliana, e
a presença de Fernandão no
meio dos zagueiros incomodava
demais. Valdivia apareceu bem, e
além de distribuir o jogo, irritava
os adversários. E numa dessas,
quem teve liberdade foi
Assunção, que achou Fernandão
enfiado e levantou na medida. O
grandalhão matou no peito, e
sem deixar cair, tirou do goleiro
com surpreendente categoria,
marcando um golaço. Que
estreia foi essa!
Com a vantagem, o Palmeiras
cometeu seu maior erro no jogo,
que foi tentar administrar a
vantagem. Assim, o time abriu
mão da posse de bola, e deu
chances ao adversário de
conseguir o empate. Num
ataque iniciado por Willian, a
bola passou por Paulinho,
Liedson até chegar em Emerson,
que ficou de frente para Marcos
mas amarelou, batendo
fraquinho. O jogo estava
tranquilo mas podia começar a
ficar perigoso.
Nossa sorte é que do outro lado
o treinador que fala pouco
estava numa tarde de
inspirabilidade, e trocou Danilo
por Willian, deixando Jorge
Henrique como único armador.
Foram minutos de marasmo no
clássico: o Palmeiras abriu mão
da ofensividade, e bloqueava
todas as tentativas do Small Club
– até que Tite tentou corrigir seu
erro e colocou Morais no Jorge
Henrique. Eles melhoraram um
pouco, mas não o suficiente para
nos ameaçar.
O resultado é que os últimos 20
minutos foram de muita briga,
lances duros, provocações, até
que Valdivia disparou mais um
chute no vácuo, levando Chicão
à loucura. A melhor chance do
Palmeiras na parte final do jogo
ficou com Luan, que arrancou
pela direita, invadiu e bateu
cruzado – torto, bem à sua
moda. Perto do fim, o único
susto: Liedson bateu de fora da
área, ainda contou com a ajuda
do morrinho, mas Marcos fez
uma defesaça, digna de um
vencedor de um Derby. O
árbitro, que fechou os olhos
para a pancadaria do time
adversário, inclusive para tapas e
cotoveladas, resolveu infartar
alguns palmeirenses pelo mundo
ao dar cinco minutos de
desconto, mas nem assim deu:
final de clássico, Verdão 2×1.
Estávamos realmente precisando
dessa vitória, em todos os
aspectos. Tecnicamente, o time
mostrou que superou a fase de
seca no ataque. Moralmente, o
time entra num momento de
recuperação, com um fato novo
para estimular: a chegada desse
grandão que ainda está longe de
mostrar que é o cara que vai
resolver nossos problemas, mas
que foi importantíssimo no passo
dado hoje. E na tabela, a rodada
ajudou e recuperamos pontos
importantes na diferença para os
cinco primeiros. Estamos vivos, a
Sulamericana não vai mais nos
atrapalhar, as crises foram
superadas e o momento é de
subida. Um ótimo momento para
entrar numa trajetória assim – só
precisa ser ratificado com uma
boa partida contra o Botafogo,
no Engenhão, o que nos
colocaria de volta até no grupo
que se classifica para a
Libertadores.
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