Total de visualizações de página

terça-feira, 6 de setembro de 2011

As ratazanas, as estrelas, e o choque de gestão

O time do Palmeiras mostrou neste domingo que não aguenta pressão. O pênalti perdido por Marcos Assunção pode até ter sido um fenômeno momentâneo, um fato pontual. Mas foi emblemático. Na hora H, o time vai amarelar. Não dá mais para ter esperanças do contrário enquanto algo drástico não acontecer.
O treinador é o melhor do mundo. Felipão pode não ser o maior estrategista do mundo, mas entende, e muito, do riscado. E sua capacidade de gerenciar situações compensa qualquer eventual deficiência. Ir mal em um ou outro jogo não o desabona, acontece com todos os técnicos – basta verificar que, no Palmeiras há 15 meses, Felipão é o treinador há mais tempo empregado entre os que comandam times da Série A.
O elenco, se não é uma seleção – no sentido exato da palavra, não no que a CBF transformou – também não fica devendo a ninguém. O considerado time titular é muito bom, bem equilibrado, com uma ou outra carência. Os reservas estão no nível dos outros times. O Palmeiras tem tudo para estar no bolo, e ir de igual para igual na disputa por qualquer título em nível nacional e sul-americano.
São empresários de jogadores e conselheiros que só pensam em seus interesses próprios. Se coincidirem com os do Palmeiras, ótimo; se não, que se dane. Essas figuras querem cargos e/ou influenciar em negociações que venham a ser lucrativas para eles mesmos, devido a ligações promíscuas com o agentes de jogadores. Os agentes, por sua vez, não pensam duas vezes em orientar seus jogadores para render menos se for interessante forçar uma saída do clube, não importa o momento por que o grupo atravessa dentro de uma competição.
Felipão está cercado por essa tigrada, e não tem em quem confiar. Hoje, abre as portas de sua sala para gente que não devia nem ter acesso à Academia de Futebol. Está mal influenciado, e isso potencializou ao extremo a tensão entre ele e Frizzo, o diretor de futebol que está fechado com Tirone, e que é alvo de todo mundo: primeiro, porque é inerente ao cargo; segundo, porque cometeu vários erros; e terceiro, porque sua cadeira é cobiçadíssima – principalmente por esse pessoal para quem Felipão tem aberto as portas.
O conselheiro Mauro Marques está louco para derrubar Frizzo. Vice-presidente da FPF, quer o cargo, e não poupa esforços: vaza informações para a imprensa terrorista, e chega até a mandar colocar uma faixa dizendo FORA FELIPÃO do lado de fora da Academia, tudo para tumultuar o desempenho do time e conseguir seu objetivo. Ligado a ele, Marcos Bagatella, que quer o cargo do gerente administrativo Sergio do Prado, um dos maiores defensores de se fechar as portas da Academia e blindar o elenco. Se alguém é contra Sergio do Prado, tem o apoio de Mustafá Contursi – Prado é uma das poucas marcas que restam da administração Belluzzo que persiste na função, e que ainda incomoda muita gente.
Os maiores craques do time não demonstram comprometimento. Kleber, sempre orientado por seu agente Giuseppe Dioguardi, declarou por ocasião do episódio frustrado do reajuste salarial e do interesse do Flamengo, que já que não seria valorizado pela diretoria, que também não se sacrificaria mais pelo clube, e que não entraria mais em campo com dores. Após mostrar um exame que revelava um edema, mas que foi sobreposto pelo exame clínico – já que dizia que não tinha dor – agora Kleber sente dores. Os exames não apontam nada, mas ele tem incômodos, que o tiraram do importante jogo contra o Cruzeiro, mas que não o impediram de disputar animadamente o rachão na véspera da partida.
Valdivia, cujo agente é Juan Figger mas que tem um ótimo relacionamento pessoal com Dioguardi, já está no clube também há mais de um ano, e jogou muito pouco: as sucessivas lesões, mais as frequentes suspensões, mais as convocações para a seleção chilena permitiram que o jogador entrasse em campo em apenas 40 das 98 partidas desde a sua volta. A forma com que recebe cartões e as acusações de pouco empenho na recuperação de lesões – incluindo o consumo exagerado de álcool, que retarda a cicatrização – saltam aos olhos, principalmente porque o desempenho do jogador, quando joga, não chega nem perto da expectativa criada.
O ano já foi para o saco. O que vier, será lucro. O time já não precisa mais se considerar refém dos dois ditos craques – enquanto havia perspectivas de almejar títulos, era necessário fazer vistas grossas aos estrelismos das bonecas. Hoje, isso já não precisa mais ser tolerado. São dois grandes jogadores, não existem dez atletas em atividade no Brasil melhores que Valdivia e Kleber, mas sem comprometimento, valem tanto quanto o Tinga. O clube já pode começar a considerar a não contar com os dois para 2012 se algo não for feito para reverter essa tendência.
Estruturalmente, o problema é mais grave. As ratazanas precisam ser exterminadas. As categorias de base regrediram assombrosamente e precisam ser revitalizadas. As portas da Academia só podem se abrir para gente que quer o bem do time. As influências políticas precisam ser controladas com energia por quem hoje tem a caneta: o presidente Arnaldo Tirone. Tudo isso passa pela profissionalização da gestão do futebol, que o clube reluta em adotar. É o choque que o clube precisou levar no início da década de 90, e que veio com a Parmalat. Enquanto isso não acontecer novamente, não adianta termos um Felipão lutando quixotescamente contra tudo e todos. Vamos levar pau campeonato após campeonato. O time pode até chegar perto, mas na hora H, vai falhar, como falhou domingo contra o Cruzeiro, contra o Vasco, contra o Coritiba, contra o SCCP, contra o Goiás, contra o CAG…

Nenhum comentário:

Postar um comentário