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sábado, 3 de setembro de 2011

Nem melhor, nem pior. Apenas perseguida.

A Mancha Verde, principal
organizada do Palmeiras, foi
banida por tempo indeterminado
dos estádios por determinação
da Federação Paulista de
Futebol. A razão alegada seriam
os tumultos ocorridos em
Presidente Prudente, antes do
Derby, no último final de
semana.
Quem esteve em Prudente
testemunhou que a confusão
partiu da polícia local,
notoriamente sem treinamento
adequado para lidar com
torcedores dos grandes clubes
da capital. É claro que, a partir
do momento em que a polícia
precisa de um treinamento
especial para lidar com
determinado agrupamento de
pessoas, fica claro que não se
tratam de monges. Não é esse o
ponto. O fato é que na
confusão, dois torcedores
palmeirenses foram baleados, e
as mesmas testemunhas afirmam
que os tiros vieram da PM, que
usou munição real, calibre 12,
em vez das balas de borracha,
apropriadas para esse tipo de
situação. Um dos palmeirenses
está ainda entubado no hospital.
E a Mancha é que está banida e
corre risco de ser extinta.
Há quem diga que a razão do
banimento teria ligação com o
mosaico exibido no estádio,
formando a bandeira brasileira
mas com os dizeres “Fora
Teixeira” na faixa branca. Parece
bobagem. Embora Del Nero e
Teixeira rezem pela mesma
cartilha, várias outras
organizadas também aderiram
ao protesto organizado pela ANT
– Associação Nacional de
Torcedores. A punição parece
ter outra razão: na noite
anterior, uma briga entre
membros da MV e da GdF,
supostamente marcada com
antecedência, fez uma vítima
fatal, do lado deles. Os anjinhos
se pegaram na avenida Inajar de
Souza, que é continuação da
Ponte Freguesia do Ó, sentido
bairro. Um corintiano acabou
sendo estrangulado e seu corpo,
jogado no rio Tietê. O fato deve
ter desencadeado toda a
sequência, desde a provocação
dos PMs, até mesmo os tiros
com balas letais, e por fim o
banimento.
Torcidas do SPFC e do SCCP se
pegaram há uma semana num
pacato torneio de showbol. No
próprio domingo, notícias
chegaram pelo Twitter dando
conta que a GdF ateou fogo em
certos lugares da cidade. O
histórico de todas as torcidas é
muito parecido. A do SPFC,
inclusive, parece ter uma
predileção especial por armas de
fogo – não que isso a faça
melhor ou pior que as outras.
Não se propõe aqui uma
discussão sobre as organizadas.
Trata-se de um assunto batido e
infinito, que sempre acaba
caindo na dicotomia entre
organizados e não-organizados,
e na situação social do país, na
violência das grandes cidades, na
válvula de escape, etc etc etc. A
discussão não é essa.
Neste momento, o que não se
pode admitir é que sempre a
torcida do Palmeiras pague o
pato. Se existem organizadas, o
Palmeiras não pode ser o único
alijado de sua principal força. Se
os outros têm as deles, nós
temos que ter a nossa também.
Se for pra extinguir, que se
tenha peito de dar início a um
processo geral, e não apenas
sobre um time. Sempre o
Palmeiras. Por que a GdF não
passa pelo mesmo processo?
Apenas porque não morreu
ninguém da MV na briga de
sábado?
O que a Mancha tem de pior do
que as outras? Nada. Nem
melhor. Como eles mesmos
dizem, são apenas diferentes.
Como todas, cada um com suas
características. Todas brigam,
todas matam, todas morrem.
Mas nenhuma é tão perseguida.

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